O que te motiva Você já se questionou sobre isso!


(Asas Vídeos/EXAME.com) Esse é o tema de mais um dos bate-papos que tivemos com a equipe da Asas Vídeos, que carinhosamente nos convidou para participar de um projeto de entrevistas chamado Palavra-Chave. Esses dias postamos o primeiro vídeo com o tema felicidade, e agora seguimos com o tema motivação. Depois do vídeo, gostaria de complementar o assunto com algo bastante interessante que aprendemos, como amantes que somos,  da cultura Grega antiga. Como comentei no vídeo, quando saímos para a Volta ao Mundo, escolhemos o estudo da motivação como tema do nosso projeto. Queríamos descobrir se aqueles que desenvolvem seus talentos e fazem aquilo que amam são mais motivados do que os demais. Depois de conversar com muita gente pelo mundo, constatamos que ativar nossas habilidades e fazer aquilo que nos apaixona é mesmo um super drive para motivação, tanto na instância profissional como na pessoal.  Lá Grécia antiga já se sabia disso muito bem, tanto que os gregos dividiam o trabalho em 2 categorias, conhecidas como Erga e Douléia.  Por Douléia entendiam o trabalho que visa a subsistência. Incluindo no conceito tarefas diárias e indispensáveis, como os cuidados com a saúde, higiene pessoal, alimentação, etc   Por Erga eram conhecidos os trabalhos voltados para criação, reflexão, desenvolvimento dos talentos, realização de projetos pessoais, busca da arte em lato sensu. Enfim, Erga era o trabalho que não visava subsistência ou lucro, e sim o aprimoramento humano e a busca da excelência através do desenvolvimento das habilidades de cada um. Os gregos reconheciam que para o exercício da Erga o tempo era um aliado, pois nenhum talento ou obra poderiam ser desenvolvidos com pressa – o que se buscava era a perfeição que tocasse o divino. Esse tempo destinado para investigar talentos e capacidades, era chamado de ócio criador. Erga portanto, era o trabalho reservado para a elevação e desenvolvimento do ser. (Bacana lembrar que as palavras erguer e ergonomia, tão usadas nos dias de hoje, tem a mesma raíz de Erga.) E o que toda essa filosofia tem a ver com a nossa realidade! O interessante é que mais de 2000 anos atrás, os gregos dividiram o conceito de trabalho justamente para dissociar a fonte de sustento do desenvolvimento pessoal. Se o cidadão conseguisse executar a Erga e a Douléia juntas, ótimo. Mas essa não era uma obrigação. O importante era dedicar parte do tempo para a Erga, mesmo que apenas nas horas vagas.  Acho que esse é um grande insight para os dias de hoje. Muita gente tem se preocupado por não encontrar o trabalho dos sonhos, ou não praticar profissionalmente aquilo que tem paixão em fazer. Se esse é o seu caso, calma! Não adianta pressionar demais e você não está sozinho. Tem muita gente em transição buscando viver daquilo que ama. Enquanto o cenário ideal não desenrola, o melhor é buscar exercer suas paixões no seu tempo livre. Isso preenche, ilumina, entusiasma. Com o tempo, aquilo que era um hobby pode virar sua atividade principal.  E se você perceber que aquilo que te apaixona deixa de ser tão apaixonante assim quando vira negócio, ok também! Aliás, só pra colocar mais lenha na fogueira, a palavra negócio vem do latim negar o ócio. Se o ócio é ligado à Erga, dá pra dizer também que Erga e negócio podem não ter assim tanta afinidade mas, pode ser só uma conversa de gregors. Pra muita gente, deixar a Erga e a Douléia separadas pode evitar a frustração. Nem todos nascemos para exercê-las ao mesmo tempo. Alguém que tenha como paixão cozinhar, pode sentir-se totalmente frustrado ao trabalhar como um chef. Simplesmente pois nem todos os amantes da gastronomia tem vocação para exercício do ofício. Mas nunca se exercitar com as panelas e múltiplos temperos, isso sim pode ser cruel! Trancar nossas habilidades na gaveta não nos ajuda em nosso desenvolvimento e certamente diminui nossa motivação. Usar nossos talentos e fazer aquilo o que amamos nos preenche de uma energia que os próprios gregos batizaram de entusiasmo (e n + theos) quando temos a luz divina dentro de nós. E o entusiasmo é um estado de pura motivação! Ainda falando dos gregos, eles acreditavam não somente que aqueles que desenvolvem seus talentos e habilidades eram mais entusiasmados e motivados que os demais, como achavam que os mesmos eram mais saudáveis. Associavam diretamente a saúde com o exercício das paixões. Então fica a dica para que possamos exercer nossa Erga e Douléia, juntas ou separadas. Esquecer a Erga jamais! Durante a Volta ao Mundo, em nossa passagem pela Malásia, conhecemos Kenny Loo, na época contamos sua história profissional fazendo um paralelo com Erga e Douléia. Para aqueles que gostaram do assunto, indicamos a leitura do texto. Por Luah Galvão Idealizadores do Walk and Talk, Luah Galvão e Danilo España, realizaram 3 projetos. O primeiro foi uma Volta ao Mundo por mais de 2 anos em que visitaram 28 países nos 5 continentes para entender o que Motiva pessoas das mais variadas raças, credos e culturas. O segundo foi caminhar os 800 km do Caminho de Compostela na Espanha, entrevistando peregrinos sobre o sentido da Superação. E recentemente voltaram da Expedição Perú, onde o sentido da resiliência foi a grande busca do casal. Agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos e histórias inspiradoras para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil.
Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br. Conheça também a página no Facebook.

Fonte: Exame




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