Acusado de assédio, Caboclo ataca Del Nero, seu ex-padrinho: “Quer voltar a comandar a CBF”


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Afastado da presidência da CBF por causa de uma denúncia de assédio sexual e moral apresentada por funcionária da entidade, Rogério Caboclo partiu para o ataque. Em nota, o dirigente afirmou que seu afastamento foi armado por Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF (entre 2015 e 2018) e padrinho político do próprio Caboclo. É a primeira vez que Del Nero é atacado publicamente pelo ex-pupilo.

– O presidente da CBF, Rogério Caboclo, vem recebendo o apoio cada vez maior de presidentes de federações e clubes para o seu retorno ao cargo, na medida em que fica claro o plano arquitetado por Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF, banido do futebol e investigado pela Justiça, que quer tirá-lo da Presidência para voltar a comandá-la através do seu maior aliado entre os vice-presidentes, até o final do atual mandato.

Procurado, Del Nero respondeu à nota de Caboclo.

– Só com mente perversa alguém pretende querer denegrir quem sempre lhe fez bem. Creio que ele deve procurar a quem lhe denunciou sobre o assédio e entender o caráter ilícito do fato, para tirar conclusões racionais – disse o ex-presidente da CBF.

Na última quarta-feira, Caboclo recebeu em seu apartamento no Rio de Janeiro a visita de Antonio Carlos Nunes, que o substitui interinamente na presidência da CBF. O convite para a visita partiu da mulher de Rogério Caboclo, Queila Girelli, feito diretamente à mulher do interino, Rosa.

Coronel Nunes, como é chamado, foi advertido por dirigentes da confederação para não ir até a casa de Caboclo, mas dispensou os conselhos. Perguntado qual foi o assunto tratado no encontro, Nunes, por meio da assessoria da CBF, informou que não comentaria.

Na última segunda-feira, Rogério Caboclo recebeu a visita de três presidentes de federações estaduais: Adélcio Magalhães (Pará), Robert Brown (Piauí) e Antônio Américo Lobato Gonçalves (Maranhão). Eles foram até lá para agradecer ao presidente afastado da CBF, que durante o mês de maio, quando já enfrentava uma crise interna na entidade, foi ao Pará e ao Piauí para prestigiar a final dos dois campeonatos estaduais de futebol.

Na conversa, Caboclo transmitiu a eles a versão de que não cometeu assédio contra a funcionária que o denunciou à Comissão de Ética da CBF e que o diálogo – cuja gravação foi exibida no dia 6 de junho no Fantástico – foi travado de maneira consensual.

Desde que foi comunicado do afastamento da presidência da CBF, Caboclo tenta conseguir o apoio de presidentes das federações estaduais. Isso porque são eles que decidem se esse afastamento temporário vai se transformar em destituição.

Após a conclusão da investigação da Comissão de Ética, a CBF planeja convocar uma Assembleia Geral Administrativa para votar a destituição de Rogério Caboclo. O estatuto determina que um presidente só pode ser destituído com a aprovação de 80% das federações.

Ou seja: Caboclo precisa ter o apoio de 6 das 27 federações estaduais para voltar ao poder. Por pressão dos patrocinadores e também para resolver impasses internos sobre o futuro, a CBF tem como prioridade garantir os 100% nessa votação. Do outro lado, o presidente afastado articula para conseguir apoio e voltar ao cargo.

A denúncia contra Caboclo

No último dia 4, uma funcionária da CBF protocolou denúncia de assédio sexual e moral contra Rogério Caboclo. O documento foi entregue à Comissão de Ética da CBF e à Diretoria de Governança e Conformidade.

Entre os fatos narrados por ela, estão constrangimentos sofridos por ela em viagens e reuniões com o presidente e na presença de diretores da CBF. Na denúncia, a funcionária detalha o dia em que o dirigente, após sucessivos comportamentos abusivos, perguntou se ela se “masturbava”. Entre outros episódios, segundo a funcionária, Caboclo tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela”.

Dois dias depois da denúncia, em 6 de junho, Caboclo foi afastado da presidência da CBF por 30 dias, por determinação da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro. Na ocasião, a entidade informou que o processo seguiria em sigilo. O presidente afastado nega as acusações.

– A defesa de Rogério Caboclo responde que ele nunca cometeu nenhum tipo de assédio. E vai provar isso na investigação da Comissão de Ética da CBF – disseram seus advogados em nota.




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